Este artigo foi escrito exclusivamente para o Bigmãe.com pela psicóloga clínica Veronica Esteves de Carvalho, com 15 anos de experiência em psicoterapia para crianças, adolescentes, adultos e orientação a pais. O objetivo deste artigo é ajudar a mamãe  a conseguir que seu bebê adquira horários regulares para dormir. Vamos ver abaixo as dicas da psicóloga!

“A qualidade e quantidade do sono dos bebês são fundamentais e imprescindíveis para o seu desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Sua regularidade varia de acordo com a maturidade (principalmente fisiológica) e as necessidades individuais de cada um, que refletirão, inclusive, no tempo de sono que cada bebê precisa para se desenvolver de forma saudável.

O sono, e por consequência a necessidade de dormir, se manifesta através de bocejos, do esfregar os olhos, choro, irritabilidade, entre outros comportamentos, que precisam ser reconhecidos e nomeados ao bebê. Na medida em que tais comportamentos são também respeitados, imprime-se na vida do pequeno ser um ritmo essencial para a moldagem de sua rotina, a qual deve estar vinculada às suas demandas e não aos horários e atividades dos pais ou outros membros da família.

  • Alguns fatores são muito importantes para que a rotina do dormir seja instalada no bebê:Reconhecer que o bebê está com sono – o principal sinal de que o bebê está com sono é o bocejo. Por isto, o melhor momento para colocá-lo na cama é quando ele emana os primeiros bocejos. Ao contrário do que muitos pensam, a exaustão excita mais do que cansa, tornando mais difícil o adormecer. Demorando mais para dormir, corre-se o risco do sono ficar mais curto ou mais estendido, interferindo, assim, na sua disposição e rotina.
  • Permitir ao bebê distinguir o dia da noite, para que possa, aos poucos, esticar seu tempo de sono durante a noite e encurtar o sono do dia (futuramente, as sonecas). Este aprendizado se dá presenciando barulhos e movimentos rotineiros de seu ambiente de dia e a ausência deles à noite.
  • Evitar estímulos nos momentos em que a criança sinaliza estar com sono, bem como em suas interrupções, especialmente a noturna. É muito frequente, em momentos de irritabilidade pelo sono, ou mesmo quando ele é interrompido, a criança, na tentativa de acalmá-la, ser mais estimulada, com brincadeiras, banho, música, passeios (este é o momento em que normalmente se instala o hábito de “dar uma volta de quarteirão” para a criança dormir). Na hora do sono ou numa eventual interrupção, os estímulos precisam ser os mínimos possíveis (luz fraca, voz baixa, sem brincadeiras).
  • Criar um ambiente confortável e seguro para o sono. Bebê alimentado, limpo, com roupas e ambiente adequados tem muito mais chance de dormir melhor e por mais tempo.
  • Os horários predeterminados demonstram à criança quando é hora de dormir. Ao ter uma previsão do que vai acontecer, a criança sente-se segura. Na hora do sono, esta previsibilidade torna-se primordial para o descanso e a manutenção da rotina. Por isto, a criação de algum ritual que anteceda o dormir ajuda o bebê a reconhecer que este tão importante momento está chegando. Entre eles, destaca-se o banho, uma musiquinha, a entrega de um paninho e/ou chupeta, elementos que facilitam a passagem do despertar para o adormecer.

Estes rituais, contudo, não podem ser confundidos com hábitos que criam a necessidade da presença de alguém no adormecimento do bebê – ficar de mãos dadas, ninar, fazer cafuné e tantos outros hábitos que começam como uma troca gostosa e se transformam num rito que impossibilita o bebê dormir sozinho, especialmente quando acorda no meio da noite.

Devemos lembrar que é mais trabalhoso retirar um mau hábito do que instalar comportamentos que visam, desde cedo, a autonomia do bebê e a liberdade e descanso dos pais (diante destes rituais os pais tornam-se escravos das necessidades dos filhos, além de sofrem com a privação de sono que, mais tarde terá consequência direta na capacidade de reconhecer as demandas vindas de seu bebê).

Assim, os limites impostos nos horários de dormir, e todas as outras rotinas estabelecidas junto aos bebês, favorecem tanto os bebês quanto os pais.”

Veronica Esteves de Carvalho é psicóloga clínica com 15 anos de experiência em psicoterapia para crianças, adolescentes, adultos e orientação a pais e uma das criadoras do blog Ninguém cresce sozinho (http://ninguemcrescesozinho.com).

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