O Ministério da Saúde anunciou recentemente que, a partir de 2014 meninas de 10 e 11 anos já poderão receber todas as doses da vacina contra o HPV gratuitamente. A vacinação deverá acontecer nos postos de saúde e nas escolas públicas e particulares. Sabe-se que o vírus do papiloma humano é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer do colo de útero, o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres. Ele é transmitido através do contato sexual.

Mas, o que é realmente importante saber sobre o HPV? O vírus sempre resulta em um câncer? Veja abaixo a entrevista com o médico oncologista Ellias Magalhães e Abreu Lima, da Oncomed BH, que esclareceu as principais dúvidas sobre o assunto.

Tudo sobre o Vírus HPV

1- O que é o HPV?

O HPV, Papiloma vírus humano, é uma família de mais de 150 tipos vírus que infectam exclusivamente a pele e mucosas dos seres humanos. Aproximadamente metade das pessoas com vida sexual ativa se infectará por um ou mais subtipos de HPV durante a vida e por isso ele é considerado a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. Pesquisas recentes mostram que 40% das mulheres são portadoras do vírus no trato genital, ao passo que outros 16% o têm alojado na orofaringe (garganta). O vírus é responsável pelo desenvolvimento de diversas patologias como a verruga vulgar, a verruga plana, o condiloma acuminado (verrugas genitais) e o câncer de colo uterino, canal anal, vulva, vagina, pênis e orofaringe. A maioria dos subtipos de HPV não apresenta potencial para levar ao câncer. Os subtipos mais encontrados nas doenças malignas são 16 e 18.

2- Quais os tipos de exame podem detectar o HPV?

O diagnóstico de infecção pelo HPV é feito através da pesquisa do DNA / RNA do vírus na amostra do tecido da mucosa genital, anal, oral ou outro local suspeito. Não é possível identificar a presença do vírus através de exames de sangue. Isso ocorre porque normalmente a infecção pelo HPV se restringe às camadas mais superficiais do epitélio (tecido de revestimento).

3- A infecção pelo HPV nem sempre resulta em câncer. Nesses casos, o HPV pode causar outro tipo de doença, pode causar infertilidade? Por quê?

Os HPVs são divididos em oncogênicos, aqueles que têm a capacidade de desenvolver câncer, e os não oncogênicos, não relacionados ao desenvolvimento de tumores. Alguns subtipos não oncogênicos têm predileção pela pele, neste caso levando ao aparecimento de verrugas comuns, planas e plantares (nas plantas dos pés). Outros subtipos têm tropismo pela pele e mucosas da região anogenital. Os sítios mais comuns de infecção são o pênis, o escroto, a região perianal, o canal anal, a vulva, o introito vaginal e o colo uterino. Levam ao aparecimento das verrugas genitais (condiloma acuminado). O HPV pode infectar a cavidade oral, levando ao aparecimento de lesões potencialmente malignas.

O HPV não é responsável direto por infertilidade na mulher. Entretanto, HPVs oncogênicos podem levar ao aparecimento de câncer e o tratamento da doença, muitas vezes envolvendo cirurgia (retirada de útero e ovários), radioterapia e quimioterapia pode levar à esterilidade feminina.

4- O que a mulher pode fazer para evitar a contaminação?

A principal forma de transmissão do HPV é o intercurso sexual, seja ele genital, anal ou oral. Assim sendo, a maneira mais eficaz de se evitar a infecção pelo HPV é a abstenção do contato sexual com outra pessoa. Para aqueles com vida sexual ativa, uma relação monogâmica duradoura com parceiro não infectado é a estratégia mais provável de prevenir o contágio. O problema é que, por tratar-se de infecção assintomática, é difícil determinar se o parceiro que teve vida sexual ativa no passado está ou não infectado pelo HPV. Pesquisas mostram que o uso correto e consistente de preservativos pode diminuir as chances de contaminação. Contudo, trata-se de método não 100% eficaz e áreas não cobertas pela camisinha podem estar infectadas pelo vírus, transmitindo assim a infecção ao parceiro.

5 – Além do sexo, há outras formas de transmissão do HPV?

A forma mais comum de contágio do HPV é o contato íntimo pele / pele, no caso das verrugas da pele, e o intercurso sexual (genital, anal ou oral), no caso das cepas anogenitais. Beijar ou tocar a genitália do parceiro com a boca também pode transmitir a infecção. 16% da população possui o vírus alojado na garganta. O HPV não é transmitido pelo sangue.

6 – Quais os sintomas do HPV?

Lesões do HPV no colo uterino raramente determinam sintomas. Na maioria das vezes são descobertas ocasionalmente através do exame preventivo de papanicolau. Verrugas genitais podem causar prurido, sensação de queimação e eventualmente levar a sangramentos durante o ato sexual. Elas são associadas a depressão, disfunção sexual, sentimento de culpa, vergonha, medo da rejeição pelo parceiro e perda da sexualidade.

7- Como é feito o tratamento do HPV?

Diferentemente das bactérias, vírus não são destruídos por antibióticos. Atualmente não existem medicamentos capazes de eliminar a infecção pelo HPV. O tratamento dependerá do tipo de lesão e, no caso do câncer, da extensão da doença.

Tentar remover as verrugas genitais manualmente nem sempre elimina o HPV e as lesões podem reaparecer. Tratamentos com agentes químicos podem ser dolorosos, deixar cicatrizes e causar embaraço. Podofilina e ácido tricloroacético são capazes de destruir as verrugas genitais externas, embora várias aplicações possam ser necessárias. Dependendo do tamanho, localização e quantidade das lesões outras opções terapêuticas podem ser necessárias. São elas: Crioterapia (lesão por congelamento utilizando-se nitrogênio líquido); eletrocauterização (lesão por corrente elétrica); laser (lesão por calor).

O câncer de colo uterino em seus estágios iniciais é tratado cirurgicamente. Esses procedimentos podem preservar ou não estruturas fundamentais para manter a fertilidade feminina. A medida que o tumor avança, as chances do tratamento levar a infertilidade aumentam. Tumores mais avançados geralmente são tratados utilizando quimiorradioterapia.

8- Para quem cada uma das vacinas anti-HPV (bivalente e quadrivalente) é indicada e quando a mulher pode tomá-la (a partir do início da vida sexual ou a partir de uma certa idade)?

Gardasil®,também chamada de vacina quadrivalente, é ativa contra quatro subtipos de HPV: 6, 11, 16 e 18. Os dois primeiros são agentes etiológicos das verrugas genitais, enquanto os subtipos 16 e 18 são os principais causadores do câncer de colo uterino e canal anal. A vacina é aplicada em três doses ao longo de seis meses. Usualmente a segunda dose é dada dois meses após a primeira e a terceira dose quatro meses após a segunda. Gardasil está aprovada para a prevenção de câncer de colo uterino e alguns tipos de câncer vulvar, vaginal, do canal anal e verrugas genitais (condilomas). A faixa etária recomendada para a aplicação da vacina é de 9 a 26 anos.

A Cervarix®, também chamada de bivalente, confere proteção para dois subtipos de HPV oncogênicos: as cepas 16 e 18. Está aprovado seu uso em mulheres de 9 a 25 anos para a prevenção de câncer de colo uterino. Sua aplicação também se dá em três doses no decorrer de seis meses.

Se possível, a vacina deve ser aplicada antes do início da vida sexual para conferir imunidade à mulher desde o primeiro intercurso sexual.

Serviço:

Oncomed – Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas
Funcionamento: segunda à sexta-feira, de 8h às 20h
Rua Bernardo Guimarães, 3106 – Barro Preto
Belo Horizonte – MG
www.oncomedbh.com.br

 

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