Hoje trazemos para vocês mais um excelente artigo escrito pela terapeuta holística Yolanda Castillo do Centro de Medicina Holística, que dá nos a conhecer a importância de ser uma mãe saudável. Ser uma mãe saudável engloba muito mais do que você possa estar a imaginar. Tenho certeza que este artigo será mais uma grande valia na vida das mamães! 🙂

A importância de ser uma mãe saudável

Ser mãe é um dos maiores presentes que a vida oferece pois apenas a mulher tem a capacidade de gerar uma nova vida no seu interior, porém esta é também uma das maiores responsabilidades que possa existir. Enquanto mãe tem um papel muito importante na vida do bebé, na sua constante e futura evolução. Por isso ela precisa de manter o seu estado psico-emocional em equilíbrio para, dessa forma, poder: sentir-se bem consigo própria, atuar de forma correta e carinhosa com o seu filho/a, compreender as suas atitudes ou expressões, saber adaptar-se e relacionar-se com cada uma das circunstâncias para que ambos, mãe e filho, se sintam bem com a situação.ser-uma-mae-saudavel-inicio-nova-vida

Qual é a importância do primeiro vínculo criado entre a mãe e o filho e da “não dependência”?

A mãe é o primeiro amor, é ela quem organiza o mundo emocional da criança, quem lhe transmite a possibilidade de se relacionar com a família com maior ou menor dificuldade. Porém esse é um amor ao qual a criança tem que renunciar para se diferenciar da mãe e conhecer-se a si mesma. Este não é um processo fácil, nascemos com uma enorme dependência e apego, mas é extremamente importante, pois é ao aprender a separar-se que a criança obtém uma identidade própria e o equilíbrio de que necessita. A dependência absoluta e esse vínculo tão estreito com que o bebé vem ao mundo fazem com que, muitas vezes, a mãe não o deixe experimentar as coisas à medida que cresce. Esta situação é a causa de que as crianças se sintam “um com a mãe” e não consigam identificar a sua própria identidade, assim como o papel da mãe e do pai.

Muitas vezes a dependência criada desde a mãe, em direção ao filho, faz com que ela absorva o papel de ambos e não permita ao pai participar nos pequenos afazeres diários relacionados com o bebé. A presença do pai é necessária para ajudar no processo de criação da identidade do bebé, assim como na sua compreensão e educação.

É de importância vital que este vínculo se estabeleça, já que é o primeiro contacto visual e de afeto mais físico que ambos terão. Neste primeiro contacto com o pai o bebé deverá sentir-se agasalhado, tranquilo e aceite, para que não se quebre esse vínculo tão especial. Este vínculo deve ser saudável e não deve trazer sofrimento ao matrimónio, nem ao filho de ambos.

O facto de o bebé não se sentir seguro, desejado, amado, etc… gerará uma série de sentimentos, emoções e pensamentos negativos que se manifestarão em forma de trauma, prejudicando assim o desenvolvimento psico-emocional e a relação com os progenitores, marcando negativamente toda a vida do bebé.

Este primeiro vínculo tão forte que une um filho varão à mãe, se não for equilibrado com a presença da figura paterna, caracteriza-se por um intenso apego que tem consequências importantes para a sua vida futura. Esta dependência é tão forte que não permite que a criança entre em contacto com a sua parte mais yin, mais feminina, caindo num desequilíbrio. As manifestações deste desequilíbrio podem ser muito variadas, como por exemplo: dificuldades em relacionar-se com as mulheres de forma respeitosa, complexo de superioridade, não saber ou não querer realizar as tarefas domésticas, acreditar que não tem responsabilidades dentro do lar, etc… Quando o pai está presente a balança é equilibrada e o vínculo com a mãe deixa de ser tão intenso.

Por outro lado se é uma menina quem chegou a este mundo o vínculo também se estabelece, embora com menor intensidade, pois a menina procura o seu ponto de equilíbrio no pai. Quando ele não exerce as suas funções de pai nos primeiros meses de vida da menina, e o matrimónio não atua com naturalidade diante dela, cria-se uma certa hostilidade da menina em relação à mãe, pois esta sente-se submissa e com ciúmes… Nestes casos a criança não está acostumada a ter esta relação com fluidez e não compreende a situação. Mais tarde isto poderá manifestar-se como mal entendidos entre progenitora e filha e, nesses momentos, ambas procurarão o apoio da figura masculina da casa, como se estabelecessem uma luta entre ambas.

É essencial que nos primeiros meses de vida ambos, mãe e pai, compartilhem o cuidado do filho e que realmente exista uma relação a três, pois isto é o mais são para o bebé, independentemente do seu sexo, assim como para a mãe e para o pai.

Para além deste vínculo existem outros fatores essenciais numa primeira instância. De que forma é importante o primeiro olhar da mãe?

O primeiro olhar da mãe em direção do bebé, no momento em que ele nasce, é muito importante, já que o bebé espera que a mãe seja como um universo que o acolhe e envolve… como um cálido raio de sol acariciando a sua pele. Com este olhar o bebé sentir-se-á acolhido ou rejeitado. No primeiro caso será maravilhoso, a criança sentir-se-á segura, relaxada e cómoda. Caso a criança se sinta rejeitada será gerado um trauma que a marcará, começando pela infância.

Enquanto é bebé o novo ser assimila todos os conhecimentos, emoções e sentimentos que lhe foram transmitidos desde a gestação, para além de assentar as bases da sua personalidade. Se o vínculo gerado com a mãe, no momento em que vem ao mundo, não é saudável e se para além disso o olhar da mãe não lhe transmite amor, aceitação e carinho, serão gerados sentimentos prejudiciais, sobretudo: insegurança, falta de autoestima, complexo de inferioridade e tristeza, que ficarão muito enraizados na personalidade do novo ser.

Se estes sentimentos não forem tratados e eliminados esta criança converter-se-á num jovem que continuará a alimentar esses padrões com os acontecimentos do seu dia-a-dia, alcançando a fase adulta com todos esses sentimentos ampliados e ainda mais acentuados.

Esta série de sentimentos também faz com que o bebé se relacione, com maior ou menor conflito, com a alimentação. Sempre que um bebé rejeita o peito materno existe, por detrás dessa ação, um trauma que faz com que não queira mamar diretamente do peito materno e que necessite de um intermediário, como o biberão.

Este conflito também tem que ser curado senão, à medida que o bebé cresce, terá problemas com a alimentação que podem ser muito variados e mais, ou menos, visíveis como: a falta ou o excesso de apetite, intolerâncias alimentares ou transtornos digestivos. Isto deve-se ao fato de o bebé, no momento do primeiro olhar da mãe, ou nas primeiras semanas após o seu nascimento, se ter sentido, de um modo ou de outro, rejeitado.

Por isso para os bebés, da mesma forma que para qualquer adulto, um olhar pode fazer com que se sintam reconhecidos e, ao mesmo tempo, aceites ou talvez julgados e rejeitados… este é um olhar que constrói o futuro…

Que importância tem o ato de dar de mamar ao bebé, para a sua estrutura emocional e para a relação entre a mãe e o filho?

Desde que o bebé decide vir a este plano, e escolhe os seus pais, está em plena união com ambos porém, quando entra no ventre materno, essa união torna-se mais profunda com a mãe. Quando o bebé nasce necessita da mãe para se poder alimentar, visto que o cordão umbilical foi cortado e que o leite materno será o substituto alimentício e emocional.

Quando se produz o fenómeno da amamentação, mãe e filho estão em plena sintonia e o bebé sente-se agasalhado, confortado, pelo calor dos braços da sua mãe. É nesse momento que se começa a estabelecer a plena confiança do bebé em relação à mãe e, por isso, o ambiente em que a mulher amamenta o filho deve ser tranquilo e livre de tensões, tanto internas como externas. Pois, para além disso, é nesse momento que a criança começa a receber o alimento afetivo, ou seja, todas as emoções e sentimentos que a mãe sente enquanto a amamenta.

Se a mãe se sente feliz, cómoda e em harmonia o bebé também se sentirá assim, sentindo-se também, ao mesmo tempo, mais unido à mãe. Se, pelo contrário, a mãe sente desconforto, ansiedade, impaciência, cansaço, tristeza ou dor, esse será o alimento que o filho receberá por contágio. Neste caso o bebé não está a beber somente leite, está também a beber ansiedade e uma profusão de sentimentos negativos que serão memorizados automaticamente na sua memória celular, no seu ADN e no seu subconsciente, entre outros, dando origem a que a criança desenvolva durante a infância, e inclusivamente na fase em que é bebé, transtornos do sono, ansiedade, nervosismo, hiperatividade e uma série de outros “sintomas”, dos quais os pais não tem noção de qual será a origem, nem por que motivo se produzem.

O processo de amamentar é natural e deve ser iniciado quando o bebé assim o deseja, devendo ser terminado quando o bebé deixa de o desejar. É esta a base de uma relação de respeito entre ambos, mãe e filho. Cada mãe deve seguir os horários que a sua sensibilidade e intuição lhe indiquem, para sentir-se bem e segura nesta importante tarefa. Ao mesmo tempo o bebé não deve sentir-se “obrigado” a comer pois está a seguir os seus próprios biorritmos. Deste processo sairão as bases da sua relação, saudável ou não, com a alimentação, assim como a aceitação e relação com o seu próprio corpo.

Porque é tão importante a linguagem da mãe em relação ao filho? De que modo alimentam o bebé as palavras?

Durante toda a gravidez, assim como no momento do parto, produz-se quer na mãe, quer no bebé, uma forte carga afetiva. Por isso tudo o que é dito é escutado com muita atenção pelo bebé, como se fosse um bonito relato do qual espera aprender até a mais pequena palavra e registá-la no seu coração.

As primeiras palavras que um recém-nascido recebe são muito importantes. A forma como a mãe fala pela primeira vez com o bebé marca o início da sua história… e também o modo de se relacionar com o que o rodeia e com o mundo, por isso essas palavras devem ser positivas e de afeto. As palavras de desprezo, indiferença ou tristeza farão com que o bebé sinta que não foi bem recebido e que é um fardo para a mãe, isto marcará de forma muito negativa a criança que poderá sentir, durante toda a vida, que é uma carga para aqueles que a rodeiam e um padrão de submissão acentuado.

Ainda que, tanto a mãe como o bebé, se encontrem numa situação de especial vulnerabilidade, vivem uma relação intensa e muito primitiva, por isso as palavras que se pronunciam nessa primeira etapa determinam, de algum modo, a relação futura entre ambos.

Não é apenas o leito o que alimenta o bebé, desde a mais pequena idade ele alimenta-se também da história dos seus pais e, com ela, forma a base da sua própria história. O bebé também absorve a maneira de estar e de ver o mundo da sua mãe, o seu modo de sentir, de aceitar ou rejeitar as pessoas e os momentos da vida. Alimenta-se da “temperatura” das palavras da mãe, do odor que desprende o seu corpo, das carícias que as suas mãos transmitem, do seu tom de voz, do acento e linguagem materna.

Os braços têm voz quando a mãe canta uma canção de embalar. Esta canção tem um tom que alimenta o bebé, tanto como o leite, por isso deve ser cantada com amor e doçura. Este tipo de canções, quando emanadas com carinho e amor, fazem com que as palavras permaneçam registadas na memória e subconsciente durante toda a vida… assim, quando o bebé for adulto, continuará a recordá-las e a trauteá-las mentalmente quando se sentir triste ou mais desamparado pois essa música transportá-lo-á ao bons momentos vividos durante a infância. Todas as palavras da mãe são filtradas e assimiladas como um alimento simbólico e amoroso, que constrói a base da personalidade e da vida do bebé.

Ser cuidadosa com as palavras é uma tarefa diária, assim como continuar a cuidar do estado emocional, mental e psicológico de ambos, através de terapias alternativas. Tudo isto é essencial para que exista harmonia interior e equilíbrio.

Ser mãe é uma tarefa muito especial pois um filho é um ser maravilhoso com o qual estareis vinculadas uma vida inteira. Ele requer o melhor de vós e, conforme ele cresce e se desenvolve física e psico-emocionalmente, também vós o fareis! Não apenas como mães, mas também como pessoas, seres humanos cheios de sonhos, desejos e expectativas!

Ser mãe é ter um cuidado contínuo com os filhos que trazeis ao mundo mas, também, com vós próprias, pois tudo aquilo que sentis ou pensais no vosso íntimo, assim como tudo aquilo que realizais para vós próprias ou para o vosso filho, será automaticamente recebido e integrado pelo bebé. Não esqueçais que ser mãe é cuidar de um novo ser ao qual chamais filho mas, também, de vós mesmas pois uma mãe em equilíbrio reflete-se num bebé equilibrado e são.

Yolanda Castillo
Centro de Medicina Holística
http://www.centro-medicina-holistica.comunidades.net/

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