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O Parto e a Doula – O enigma do parto

O Parto e a Doula – O enigma do parto
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Quem acompanha nosso blog  Bigmãe  já conhece os excelentes artigos sobre Medicina Holística que publicamos aqui de autoria de Yolanda Castillo, terapeuta holística e Doula.

Hoje trouxemos esta entrevista com a Yolanda Castillo que irá esclarecer muitas dúvidas sobre o parto e o papel e atuação de uma Doula durante toda a gravidez.

Tenho certeza de que será muito útil para todas as mamães do Brasil, Portugal e países lusófonos.

Poderão contactar Yolanda Castillo pela página: – Início de Uma Nova Vida

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 O Enigma do Parto 

A mulher recupera-se mais rápido no parto normal ou no parto por cesariana?

Em primeiro lugar deveríamos refletir sobre o que é um parto normal para cada mulher. Esta pergunta pode abrir horizontes para o conhecimento ou desconhecimento em relação ao parto. A mulher está capacitada e preparada fisicamente para parir, para trazer o seu filho ao mundo mediante um parto vaginal.

Tendo em conta que a natureza da mulher é parir por parto vaginal, a recuperação física é habitualmente mais rápida e fácil que mediante a cesariana. Dependendo como tenha sido o parto e como se tenha sentido a mulher. O bem-estar emocional após o parto irá depender de variadíssimos fatores, tais como a preparação prévia para o pós-parto e o apoio que esta teve e terá.

Por outro lado, no caso da cesariana, a recuperação é mais lenta e dolorosa, pois esse “corte” representa muitos fatores emocionais, físicos e energéticos para a mãe e para o bebé. Para além da cicatrização, existem muitas outras implicações físicas na mulher e no bebé que se podem repercutir durante a sua vida.

Emocionalmente, para além da recuperação que existe com o parto vaginal, neste caso também é preciso trabalhar sobre a vinculação mãe-bebé, entre outras coisas.   Em contas resumidas, a recuperação de uma cesariana habitualmente tem muitas mais implicações que um parto vaginal.

As restrições pós parto são iguais no parto por cesariana e no parto normal?

Cada mulher é um universo completamente diferente, por isso os cuidados também irão variar de umas para outras. O pós-parto é sempre uma etapa que requer um acompanhamento especial e muita atenção, pois é a etapa de adaptação da mãe, do bebé, do pai e em geral da família. Os cuidados emocionais são igualmente importantes após um parto vaginal e num nascimento por cesariana. Embora neste último caso há que ter especial atenção às “cicatrizes” físicas e emocionais no bebé e na mãe.

No parto realizado com o acompanhamento de uma Doula, ele é realizado em casa ou no hospital?

Podemos resumir que as doulas realizam o acompanhamento emocional e informativo da mulher/casal durante a gravidez, parto e pós-parto. É com esta informação que a mulher pode fazer as suas escolhas de forma consciente e responsável e decidir que tipo de parto deseja. Sendo assim o parto pode ser hospitalar ou em casa. Em ambas situações a doula pode estar presente.

 Hoje em dia os hospitais em Portugal já permitem que a Doula esteja presente na sala de parto com a mãe?

Sim, existem alguns hospitais que conhecem o papel que a doula exerce e também permitem que esteja presente no bloco de partos, sem a nossa presença ser considerada como a de um acompanhante ou interferindo que o companheiro da mulher esteja presente, sempre recordando que a doula não interfere no trabalho da equipe médica. Dependendo da política dos hospitais, existem hospitais que aceitam e respeitam a presença da doula com a mulher ou o casal no bloco de partos. Pessoalmente conheço no norte o CHPVVC (Póvoa de Varzim), no qual a equipa de enfermagem do serviço de obstetrícia acolhe com muito carinho as doulas.

Se o parto com acompanhamento da Doula for realizado em casa, é feito dentro da água?

Como bem dizia anteriormente, a escolha do tipo de parto é da mulher. Se o parto for em casa, não tem que ser feito na água, é uma hipótese sim, mas o facto de ser em casa não está associado a ser na água. As mulheres ou casais que procuram um parto em casa, desejam um parto humanizado. Um parto em intimidade e no qual a mulher e seus desejos são respeitados e acompanhados, assim como o ritmo e tempo do bebé e do corpo da mulher.

Dentro deste contexto há mulheres que preferem, sonham ou desejam o seu parto na água, por diversos motivos. Entre outros o efeito terapêutico e relaxante da água. Em partos em casa, também existem outras formas da água estar presente, como pode ser um duche, que ajuda a libertar a tensão física e emocional e como resultado alivia a dor de forma natural.

Ainda no parto realizado com a colaboração da Doula, caso algo corra mal no momento do nascimento do bebé o que é feito como socorro emergencial?

É importante esclarecer que a doula não realiza atos médicos, nem interfere no trabalho da equipe de assistência sanitária que está a acompanhar o desenvolvimento do trabalho de parto. É a eles que lhes corresponde agir em situações de emergência. Mesmo num parto em casa, há ou deveria haver uma enfermeira parteira a acompanhar o parto. Nós Doulas da Rede Portuguesa de Doulas só acompanhamos partos em casa com a presença de uma enfermeira parteira, ou Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetra.

Geralmente quanto tempo demora um trabalho de parto e como é todo o seguimento das contrações?

Cada mulher é um Universo completamente diferente e é única na sua essência. Por isso o trabalho de parto, o próprio parto, é uma experiência diferente para cada uma delas. Por isso não podemos falar de um tempo determinado ou aproximado, pois o parto é um evento familiar, que involucra muitos fatores e não é de modo algum algo que possamos dizer que é estático. O corpo da mulher inicia esta preparação para o parto algumas semanas antes da data prevista.

Desde que a mulher e o bebé iniciam o trabalho de parto até que o bebé nasce podem passar semanas. Cada um leva o tempo que precisa, é o chamado parto latente.

O trabalho de parto em fase ativa varia em cada mulher, e também dependendo de como tenha corrido o parto latente. Por isso, embora tenhamos sinais emocionais e corporais que nos transmitem informações, não há um tempo determinado para o parto decorrer.

Durante o trabalho de parto o pai ou outro familiar pode estar presente?

Sim, claro, é um direito da mulher.

Embora isto irá depender do parto escolhido pela mulher. Um parto em casa, a mulher escolhe quem é que deseja que esteja presente, como por exemplo o marido, a mãe, um filho mais velho, a doula e o responsável sanitário ou pode pretender algo ainda mais íntimo.

Quando falamos de parto hospitalar, a mulher tem direito a ter um acompanhante, quem ela escolher. Depois cada hospital tem a sua própria normativa interna e irá depender de aquilo que esteja estipulado.

Existe algum tipo de anestesia durante o parto para a mãe não sentir dor?

Sim claro. Nos partos hospitalares existentes em Portugal, um dos fármacos mais utilizados e conhecidos é a epidural. Mas isto não quer dizer que não tenha riscos, embora muito desconhecidos porque na maior parte dos casos não é passada essa informação às mulheres. Um dos riscos mais evidentes é que a administração da epidural atrasa o trabalho de parto em hora e meia. Para além disso há maior risco de um parto instrumentalizado. Os bebés que nasceram com o uso da epidural também apresentam mais dificuldades na amamentação.

Não entanto, a mãe pode utilizar técnicas não farmacológicas para o alívio da dor como a massagem, meditações ou visualizações criativas, dança, movimentos rítmicos, reforço positivo, respirações, relaxamentos e outras possibilidades que irão depender também das capacidades e competências profissionais da pessoa que estiver a acompanhar a mulher no momento do parto.

Devemos ter em conta que a dor do parto está associada a uma série de fatores emocionais da mulher, por isso cada mulher vivencia a dor de uma forma diferente, mais ou menos intensa. Também com o parto nasce uma nova mulher, mas sem dúvida há diversas técnicas que ajudam a aliviar as dores físicas de parto e as dores emocionais.

Mesmo aplicando todas essas técnicas há possibilidade da mulher não conseguir suportar a dor?

Cada mulher é diferente, por isso a nossa tolerância, ou foco com o que olhamos para a dor, também é diferente. Sim, claro que poderia existir essa possibilidade, pois o momento do parto é um evento com uma grande carga emocional para a mãe e pode sentir em algum momento que não aguenta, apesar da ajuda das técnicas aplicadas. Se a mulher assim o desejar poderá solicitar a epidural.

Mas neste caso, as mulheres que são acompanhadas por uma doula durante a gravidez, já lhe terão sido proporcionadas as informações precisas, baseadas em evidências científicas, o que irá permitir que a mulher faça as escolhas de forma consciente e responsável.

Durante o parto são praticados uma série de procedimentos na mulher. Todos eles são necessários? Um dos mais famosos é a episiotomia, o que nos podes contar sobre isto?

Como dizia anteriormente, já existem hospitais em Portugal que seguem uma linha mais humanizada e respeitada, sem dúvida a OMS também tem tido um papel de importância sobre isto. Por isso não podemos generalizar.

Sim, é certo que em muitos complexos hospitalares continuam-se a pôr em prática procedimentos por protocolo ou rotina, sendo que alguns destes não têm estudos científicos que comprovem algum benefício no seu uso. Por isso a mulher deveria poder escolher de forma consciente e informada quais são os procedimentos a que quer ser submetida, e ao seu bebé, no trabalho de parto e parto.

Em relação à episiotomia, este é um dos procedimentos com taxas mais elevadas em alguns hospitais. Para quem não sabe, a episiotomia é uma incisão na região do períneo que acostumam fazer para ampliar o espaço para o bebé passar e também para proteger o períneo de possíveis rasgões no parto.

A questão é que existem estudos científicos que confirmam que este protocolo não protege o períneo desses rasgões.
É sempre bom estarmos informadas do que desejamos para nós e se tem algum benefício ou efeito preventivo como tal.

Que conselho darias às mulheres grávidas que estão a ler-te neste momento.

A gravidez é uma etapa de esplendor para a mulher. São nove meses de um renascer constante. Aproveitem esta etapa maravilhosa para viver de uma forma consciente.

Cada segundo, cada dia desta etapa, é de grande importância.
Apostem num parto humanizado, onde vocês possam sentirem-se em amor, tranquilas e em paz. Onde não se sintam invadidas e sobretudo onde os vossos desejos e necessidades sejam respeitados. Pois a experiência na gravidez, parto e pós-parto que vivenciem também irá ser essencial para vocês como mulheres.

Mas sobretudo lembrem-se que a forma como nascemos tem um impacto para toda a vida. Só mudando a forma de nascer podemos mudar o mundo.



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